quinta-feira, setembro 20, 2007

A LUA

Quando ela passa tão suavemente,
Enche de amor os olhos da gente
Quando ela vai, quando ela vem
Clareia tudo e a gente sente.

Linda, como se fala ainda,
Dela que todos chamam de bela
Dona dos sonhos dos poetas,
Desvia o barco da procela.

Quando ela falta, a gente fica
Sentindo o mundo tão vazio
Claro que a luz é mais bonita
Claro clarão pelo infinito.

Bela lhe chamam e dela se liga
Tela de Deus, a mais bonita
Claro clarão de amor, se diga
Ela é tudo que luz se fixa.

Quando ela chega tão levemente
Treme de amor o coração dentro
Quando ela parte tão vagamente
Deixa molhados os olhos, e se sente.

Quem disse que a lua é feia
Palavras do céu lhe faltam
Quem disse que ela não faz falta
Se arrisca... os poetas até enfartam.

quarta-feira, setembro 19, 2007

TEU NOME

Nos meus papéis importantes
Nos lastros planos das árvores
Na minha carteira de trabalho
No bolso da minha camisa
Eu escrevo teu nome.

Nas nuvens claras do céu
Na areia quando a maré alisa
No coração de papel
No balão que solto ao léu
Eu deixo escrito o teu nome.

Nas paredes em ruína
No casarões tombados
No cimento ainda molhado
Na meia na parte que se vê
Eu deixo o teu nome escrito.

Nos pés dos altares
Nas toalhas que sobram ao chão
Nos dias claros de verão
No meu casaco de inverno
Eu já escrevi o teu nome.

Tatuado no meu braço
Que se expõe quando a camisa arregaço
Nos meus dias de cansaço
Nos embrulhos que carrego
Está impresso o teu nome.

É como marcar-te minha
E em tudo que vejo e se aninha
O meu olhar de emoção
De ter-te comigo aonde eu vá
Te afundas em meu coração.

terça-feira, setembro 11, 2007

ACALANTO

Muito antes de eu nascer já me acordavas com cuidados
Um anjo me designastes, antes de minha mãe pegar-me.
Ele me segurava quando eu corria rumo ao despenhadeiro
Ou quando me declinava sobre o precicípio.
Me embalava com canções compostas aí,
Serestas e acalantos, dormia ouvindo-os
Para aplacar minhas investidas nos caminhos da cruz.
De noite eu sentia cada passagem do Arcanjo
Sob minha rede armada no entrar do quarto,
E se ausentar nas estradas altas par o céu.
Após e tardiamente, uma mulher deitou-se do meu lado
Tinha uma forma de anjo fêmea,
E na minha vida, já se diminuíam os cuidados do tempo.

Se não for do puro atrevimento, manda-me o teu anjo
Para que cuide de minhas feridas expostas,
Para que resfrie a minha boca:
Há momentos em que mesmo a vontade não me convence
É necessário que eu te veja inteiro, rente aos meus olhos
É preciso que eu me veja em ti
E que encare os sofrimentos como um sol claro
A tua luz subindo e descendo sobre minha vida.

Manda o teu anjo que com ele eu aprendi a falar
De coisas que por aqui, nas divagações de mim,
Não mais sei contar a ninguém
Nem mesmo à mulher que dorme comigo
Nem mesmo o homem que soube ser meu pai.
Não és tu meu pai, que já flutua, que já é anjo
Meu pai, de verdadeira saudade lá bem de dentro de mim.
Manda-me essas pessoas todas
Para fazerem um coro, para eu poder dormir.

segunda-feira, setembro 03, 2007

CONFRARIA

Ninguém pode querer a vida
Que a si sugere.
Ninguém mais pode está só.
Os enigmas são revelados
À luz de todos os sóis.
Eu estou envolto de algo
Quem em mim se agita
Vou persistir em elevar as mãos
Aos bondes que ainda passam.
Engulo, por um amor, uma rosa
Que dentro de mim explodiu.
Só tive paz e segurança plena
Imerso no ventre de minha mãe.

Um esteio que vejo existir
Desde o princípio do meu tempo
Não me respirar do ar
Que não seja rarefeito.
Sou sempre tristonho dentro do escuro.

Adios sol calliente del tiempo escuso
Que não tens aos inocentes
Nada reservado em teus planejamentos
O só, o pobre, o nada, o nu.
Não vejo homens de boa vontade
Em parque alguma que freqüente
Os meus sonhos, eu, presente,
Sumindo, serei livre, amem.

segunda-feira, agosto 27, 2007

ESTEVE ESCRITO

Te espero desde o início do começo
Desde o tempo dos lampiões de gás
Desde o primeiro samba, a estação derradeira;
Fostes sempre o meu amor tristonho e sensato
Por ti me embati com a vida
Matei mitos intransponíveis
E fiz de pedras quentes flores orvalhadas.

A terra tocou o céu
Com a grande cauda de fogo
Mares se juntaram pra te refletirem inteira
No começo do nosso fictício amor.
Dura e sublime criatura
És o modelo renascido
Das tantas mulheres invisíveis
E ao mesmo tempo, mansa e de carícias
Nosso amor corre para uma luta
Ao toque de valsas muito antigas
A abertura do sol será a nossa estrada
Desvanecidos de paixão
Até encontrarmos uma solidão pra dois.

sexta-feira, agosto 17, 2007

MEDO

Já é como está vendo. Esta chuva que se promete,
Anunciada por nuvens espessas, me arremete,
A outras chuvas, por outros umbrais, e me mete
O mesmo medo de trovões, de fogo e perigo perto.

As chuvas e os meus medos, entrelaçados, lavoura,
Covas rasas, covas fundas, plantando esperança de novo,
Esquivo de muito barulho, que quanto mais, menos ouço,
E meu coração se confunde com jatos de água em meu dorso.

É como que está sentindo, a chuva que vai caindo,
Me levará brutalmente, aos perdidos estreitos caminhos,
Do tempo que um operário fazia de tudo, menino,
E caçava o tempo com pedras pisoteando caninhos.

As trovoadas, as pancadas dos pingos pela calçada,
Que batiam e voltavam de novo, a casa ameaçada,
O tempo dessas invernadas, a morte já anunciada,
De qualquer coisa, qualquer gente, eu acorria abraçado.

terça-feira, agosto 14, 2007

INCLEMENTE

Quando penso,

Pedaços de sol caem sobre mim
Como um desastre ecológico
E eu conto e ninguém acredita
Que estes raios incidem só sobre mim.
Uma lembrança das outras manhãs
De calamidades expostas,
Dos dentes a mostra
Dos bichos nos vales das estradas.

Quando eu me ponho a escutar
Ouço uma sinfonia de pássaros,
Sôfregos, confundíveis com os galhos
Farfalhos em minha boca
De morder a língua
Num jogo doido de mim comigo.
Lanço pedras na direção do dia,
E o sol desvia-se qual juriti no seu assento,
E nenhum gesto meu o afugenta,
O agourento despojo dele por todo o chão
E eu impotente sacudo os braços,
Pra ver caírem minhas mãos.
TE PERDÔO

Te perdôo
Por não teres aonde ir com o meu coração.
Se o teu carrego sempre em minhas mãos,
Como uma hóstia, antes de ir á boca,
E encher meu peito de aflição.
Te perdôo
Como já fiz tantas vezes
Em que errou meu nome, vão
E a casa onde moro sabendo aonde ias,
Com o endereço em tuas mãos.
Te perdôo
Por amares mais as flores
Que a mim, e em teu jardim
Há mais delas do que eu,
E mais esterco do que cores.
Te perdôo,
Te perdôo com a decência
De esquecer tua dormência,
O dia todo passas com a minha ausência.
Te perdôo
Por não me deixar uma fresta
Se de mim nada mais resta,
Se até o meu nome trocas, nunca acertas.
DE DIA

Tarde demais para acostumar-me com a sombra.
Eu que venho por todo o dia tangendo a claridade
Vendo brotarem flores novas nos escombros.
Cativa-me o medo da noite agora, e fico só
Desterrado do teu regaço, posto solto
Como um menino que larga o peito, e agarra o mundo.
Não tinha planos para as estações,
Em todas eu plantei, e depois desenterrei todas as sementes
Foi uma brincadeira de menino, uma experiência de nascer.
E morri, quando os teus olhos se fecharam
Não te via mais, e era tu que não me enxergarvas.

Cedo demais para outras colheitas entre os apanhados.
Ninguém saiu, são os mesmos rostos de ainda pouco
E tudo o que eu tinha entreguei em troco,
Ao sol, que reneguei, ao dia que decepei,
Da noite que fez dos meus quereres tardios.
Agora é o mesmo tempo de todo o tempo,
Nada serviu a aplacar em mim a réstia
Que persuadiu-me e dormi com ela.
Veio pela janela, insistente o dia, repelido,
E se insinuava como uma amante afogada
Em amor querendo dar-se, alforriada.
Agora que sabes que não me atormentam as nuances do dia,
O tempo, comigo tem sido um elástico tenso
Que ora está aqui, mostrando-me os taciturnos gestos
Ora se afugenta, talvez medo de mim, talvez medo dele.
E só Deus saberá contar as horas em que me larguei daqui
Saí sorrateiro pela lateral do terreiro e nunca mais me vi.
Vi uma sombra calcada sob meus pés, derrotada
E nada de mim, nem do dia, nem de nada mais restava.

quinta-feira, agosto 09, 2007

SE LEMBRA
música

Por todas as ruas onde ando sozinho
Eu ando sozinho, com você.
E você que nem se lembra mais
Se lembra!
Do jeito que eu fui
Tão dedicado, meu amor
Vejo com saudade
A rua, a cerca, o espinho, a flor
Tantos gestos fiz
Pra lhe falar, lhe ver sorrir
Você se lembra.

Ainda ando sozinho,
Eu já nem sei se eu ando.
Eu ando sonhando com você
E você que nem se lembra mais.
Se lembra!
Do jeito que eu sou
Tão complicado, meu amor
Fico encabulado
Quando vou pegar uma flor
E há tantos gestos mais
Para entender, e esta canção,
Pra você lembrar.

quarta-feira, agosto 08, 2007

BATALHA

Não estivemos à frente dos que lutaram.
Bebíamos, sacudíamos nossos braços
E apertávamos as mãos dos loucos.
Eles arrebatados pela palavra da mentira,
Foram lançados e resvalaram contra nós.
A trincheira cabia uns dois baixos, magros
E ficou tomada por todo o batalhão da derrota.
E a marmota, a esfinge cortada,
Foi levantada como um troféu pra eles.
E eles nos comeram mortos.
Imagino, nos cortaram aos pedacinhos
Como suas diferenças e maldade se media.
Não estivemos a lutar, empurrar com os braços secos
Rumo à cova preparada e nova
Os que se destruíam frente a morte,
Chamando pelo seu nome, e pelo nome de Deus.
Agora quietos, silenciado o covil dos torpes
Que não guardam pena nem de suas dores,
Doem, ardem de uma febre que não se vê.
Sente-se o tremor dos galhos, das folhas,
Como se a vida ainda continuasse,
Mas ela estava ali, parada com as mãos nos bolsos
Leve de qualquer pressentimento ruim,
Isenta do mal, se para ela mal se apega a um
Imagine-se um comboio de loucos de desorientação.
Cadê o tempo, pra se contar no corpo dele
Este episódio narrativo da vida só.
Por onde passa o tempo, embriagado,
Líquido, por onde escorre o tempo se ninguém segura,
Se nenhum pendura um nome qualquer
Para que ele por sua deliberação, preserve quem está vivo.
Será que por todo este lastro, acobertado de vergonha
E presságios de acontecimentos piores,
Não há um ser inativo, de quem escorra sangue
Para com ele se reiniciar a vida.

terça-feira, agosto 07, 2007

TEIA

Escolho ao acaso uma folha branca
Mas que podia ser verde, ou de outra cor.
A intenção é escrever o poema
E que ele saia nítido como esta cor oportuna.
E escrevo, faço intercalações,
Faço a palavra que mais se adequou, distante,
E ponho um risco ligando-a ao nome.
Comecei por chamar saudade
Mas vi que o sentimento era outro,
E o nome obrigado teria
Que não se chamar saudade.
No meio da página a poesia quase enfeite,
Derramo café e espero secarem as idéias.
Ponho um preposto, entre o sentido e o fim,
E pra quem vem lendo de lá,
A alfândega perde o pedágio
E a poesia ganha outro ditame.

O lápis por descontrole pára.
E a poesia silenciou, quando afluíam
As falas, as almas, os encostos.
Aí me deito delgado, de cara pra cima,
E do teto a aranha tece sua nova roupagem,
O acabamento impecável
Que, se lembrasse, usaria na poesia.
LUA

Lá fora a lua, mostra um mundo calmo
E a maioria dos olhos triscam nela
E as bocas que nunca a beijaram
Saltitam no gargarejo, gritando por ela.

Lua que no céu flutua! E vai
Em passos lentos seguindo os mesmos passos do sol
E acompanhada de estrelas, por sabê-las
Até pelo nome, que todas descem onde ela cai.

Lua que nos dar o luar! Ofuscado da luz nascente
Ó quão sonhador seria, se minha namorada fosse,
Quem aqui na terra, ao te ver não se arrepia,
Não se engana todo, não ganha o seu dia,
Estrela que chamada, em seu nome seria mais doce.

Lua que prometeu dar-se a mim em casamento,
Peço-te agora, leva-me como um teu rebento,
Finca-me no teu regaço, deixa as intenções de amar
Comigo que já me tenho disperso por este momento.

Lá fora o luar, a lua aberta em leque
Um fogo brando que só a gente aquece,
Lança-nos a dentro um aroma destilado
Criado de sua boca, pelo seu amor tão leve.

segunda-feira, agosto 06, 2007

SEMPRE TE AMEI
Basta que saibas que a ti somente
Que a ti somente, flor, adorei
Meus olhos dizem constantemente
Formosa, eu sempre, sempre te amei.
Do teu sorriso terno, divino
Cativo, humilde sempre serei
Por isso eu digo não me domino
Formosa eu sempre, sempre te amei.

Se um dia de amar na lira,
Os teus encantos, sequer deixei
Por isso eu digo não me domino
Formosa, eu sempre, sempre te amei.
De amarte-te em sonho, um só momento
Um só momento, sequer deixei
Por isso eu digo, sem fingimento
Formosa, eu sempre, sempre te amei.

Por toda parte, rindo ou chorando,
Chorando ou rindo, te seguirei.
Dizendo mesmo, de quando em quando
Formosa eu sempre, sempre te amei.
Pouco me importa se o mundo louco
Me chame e diga que eu sempe errei.
O mundo é velho, caduca um pouco
E eu sempre, sempre, sempre te amei.
_____________________________
naeno* com reservas de domínio

quinta-feira, agosto 02, 2007

MANHÃ

Pena dessa manhã
Que tão ofuscada chegou
Pelo sol que bate nela
Tanta gente se alegrou
Com a luz e não com ela
Ela que trouxe o andor.

Toda manhã é assim
O começo de outro amanhã
E quem ultrapassa a linha
Leva pra vida uma a maçã
A manhã não é lanterna
O dia não é um talismã.

Ó senhora destes dias
Mãos que afaga e fareja
A manhã mostra o que vive
Tudo, estando onde esteja
O dia não é passagem
Se a manhã for benfazeja.

Porque é que o galo canta
Antes das pontas de sol,
É dizendo que no terreiro
Daqui a pouco é arebol
Então se arendam do meio
Quem não se mexe, e está só.

Manhãs que eu vi pela vida
Todas passaram ligeiro
A gente acompanha o rastro
Mas não lhe pega o desejo
Que assim tava garantida,
Nossa vida pra assim seja.
LUZ DE SONHAR

Ao entardecer, debruço-me na janela
Na certeza que campos e quintais me cercam
Olho até o suportar dos olhos
O sol, que se vai minguando à minha frente.

Que saudades vai deixando o sol
Que o dia todo esteve comigo.
E o seu modo de mostrar o mundo
Só ele sabe, ninguém precisa.
O sol prover o homem de força
Provém de onde se imagina ser
E o que falar a esta entrada luz
Quando se sai de nós e se vai embora.
Embora eu saiba que amanhã estarei
Neste mesmo pouso, se o tempo vier
É bom que o rei venha no seu tempo
Que é o mesmo meu tempo, eu procurarei.
Logo de manhã, vou à procura dele,
Não na frontal visão que se acaba agora
Rebuscarei o fundo que há um avesso
Do outro lado, tranzendo-me a aurora.
Ó, sol, ó luz! A mesma coisa que olhar pra ela.
Que de outra luz se cobre e rebrilha
Mas que a mim é imposssível a sorte
De sem a claridade do sol enxerga-la.
E eu olho a ela como olho na lua
Nos seus caminhos que ela faz em casa
E os meus olhos talvez fiquem cegos
Por tantas luzes, tanto admirar.

terça-feira, julho 31, 2007

JOÃO GRILO

O homem absoluto pelo mundo
Vislumbra a mulher que surge sob seus olhos
E não estanca, nunca se finda.
Divide a vida com outros seres
Um projeto que se altera, brinca de renascer
Uma criança que se ri cantando.
Tudo o que vê e por ele passa se perpetua em meu cérebro.
Sublimo as flores nas áureas, nos acordes, nos seus balanços
Pisoteio sobre os telhados das casas pendulares do mundo
Abstraio do sonho os corpos das meninas perdidas
Desoriento as planificações,
A estrada se racha com minhas passadas,
E não toco em nenhum canto do mundo.
Apascento os heróis ociosos, louvo o guerreiro derrotado,
Não me dou a amar qualquer pessoa; eu sou o amor
Ajo surpreso por cumprimentar cães de rua
E a pedir perdão aos pedintes.
Sou a ilusão que presencia as criaturas quando nascem,
Que mexe com todos os espíritos com que me deparo.
Resultado da multiplicação, parado, distante do inferno
Não há o que me fixe às vias do mundo.

segunda-feira, julho 30, 2007

VOZ DO BRASIL

O sol foi dimanhando e o dia de uma manhã
Que fortifica a vida em seus botões de aperto
Terra presa na chinela, jaz, no vai arrastado da vassoura,
Que amanheceu disposta, crente que o dia se abreviará.
Pois tudo limpo, e tudo lindo, sobram-lhe palhas entre outras palhas.
Recolho-me quando era pra me dispor no mundo,
Deito ao relento, lendo, o que as estrelas estão segurando.
O mundo de que preciso é este: o mundo dentro de mim
Outro mundo fora para eu poder ser assim.
Caminho nas lembranças e me balança o peso
E o peso se contrapõe à balança, que lhe revela
Seja do tamanho que for, ela se vela,
A olhar o anti-ponto, o contra-número
Porque no mundo tudo faz essa diferença
Uns comem muito e outros têm o jejum como sentença.
Aumenta o rádio, não o objeto, o som volátil,
Porque agora se encerra no meu peito varonil,
Um sujeito ardil, tramando contra a nação.
E bem no tempo, no contra-régua que se acha o chiado
Do rádio, iniciando uma peleja, quase diária.
Uns falam pra todos e poucos são os que dão ouvido.
Porque já houve tempo que ninguém podia ouvir,
Falar era castigo, um diabo que mastiga os próprios dentes.
Eleva o rádio, não à condição de objeto estranho,
Mas o volume, bem no pingado com esmalte de unha,
É por aí, nesse intervalo, que se ouve e cala a Voz do Brasil.

sexta-feira, julho 27, 2007

MISCIGE

Pelo pisado do pé
Ninguém diz
Se é negro ou branco.
A pele muda
Mas é só um manto.
O branco tem no olho um preto
No do preto tem um branco
E Deus os fez,
Com amor do mesmo tanto.
PAUTA

Eu queria fazer um poema
Assim, métrico,
Tenso, como um fio elétrico
Para que todas as manhãs
Os pássaros viessem pousar e cantar.
Eu queria fazer uma música
Na pauta tensa da rua,
Para todas as noites, a lua,
Tocar nela e rebrilhar.

TERESINA

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