quarta-feira, novembro 08, 2006



SEMPRE TE AMEI

Basta que saibas, que a ti somente,
que a ti somente, Flor, adorei,
meus olhos dizem constantemente,
Formosa, eu sempre, sempre te amei.
Do teu sorriso terno, divino,
cativo, humilde, sempre serei
por isso eu digo não me domino
Formosa, eu sempre, sempre te amei.

Se um dia, em febre, de amar na lira,
os teus encantos feliz, cantei,
é que minh'alma, dizer-te, ouvira,
Formosa eu sempre, sempre te amei.
De amar-te em sonho, um só momento,
um só momento, sequer, deixei,
por isso eu digo, sem fingimento,
Formosa, eu sempre, sempre te amei.

Por toda parte, rindo ou chorando,
chorando ou rindo, te seguirei,
dizendo mesmo, de quando em quando,
Formosa, eu sempre, sempre te amei.
Pouco me importa que o mundo louco
me chame e diga que eu sempre errei,
o mundo é velho, caduca um pouco,
e eu sempre, sempre, sempre te amei.
naenorocha


NEHUM VERSO

Hoje eu não escreverei um verso,
uma linha, como o que confirmei,
serei prá mim mesmo, um reverso
de como ontem e mais atraz me chamei.
O que não fala, o que tudo escreve,
o que não se larga da palavra escrita,
como se com elas alguém converse,
e por elas saibam, coisas de minha vida.
Hoje como faço igual, prometi a mim,
não escreverei nenhum verso, uma palavra,
serei o interlocutor entre eu e mim
de forma falada, revelada, o olhar mais claro.
Acomodarei-me em lugar ermo, calmo,
puxarei papéis como os coloquei, amssados,
e os decifrarei, como um enigmático,
o que tenho dito, sei que são nada.
naenorocha

terça-feira, novembro 07, 2006


CONCÓRDIA

Ao meu amor,
eu não posso chamar de concórdia,
ele é mais um vulcão,
muito embora,
seja o que Deus me deu,
prá doer.

Meu coração,
é do mar mais revolto ao mais triste,
ele é o que mais se espera,
é um imprevisto,
é a dor que insiste,
em doer,

Ai meu amor,
meu coração...

naenorocha


TEU OLHAR AZUL

O teu olhar é azul como o céu
e luzente como a água sob o sol
eles são assim, aul e luz,
de paz, em que se traduz.

Se eu por desventura perder este lume,
em qual estrada poderei procur-lo,
se à frente e aos lados que os meus olhos dendam
não verei a luz, me faltará os sinais.

O que se diz de alguém que se perdeu,
por procurar, à distância se deu,
como ser o mundo guradado por cercas,
ele se esqueceu, de pegar os contornos,
e desapareceu,
como a luz que de tanto olhar,
ofuscou-se, e conta não se deu
.
naenorocha


FASES

Em minhas fases de esconderijo,
Alguma coisa é o que só não vejo
E nem a mim me dirijo,
Levo na mão um apagado, um não aceso.

Se dá-me vontade erguer a fronte,
De onde me estou, soterrado,
Dou com meus olhos num ponto,
Uma réstia havia sobrado.

Ai, começo, e recomeço do fim,
Clareando como o tempo, horror
Ai, de mim, já havia dito,
Tantas vezes, vi o fim
De um começo tristonho,
O tempo que me gerou
.
naenorocha

SERÃO TEUS OLHOS

Quando me dou frente a frente
Com os teus olhos de louca,
Fica a impressão de que vi,
Algo de extremo e pouco,
E vou ao delírio, perto,
Já da minha loucura,
Fico gritando o teu nome,
Em aflita amargura.

Se quando olho os teus olhos,
E não vejo os meus refletidos,
Fixo-me no chão só pra ver,
Se os meus não caíram,
E de pura dolência,
Caio por terra e vejo,
Já no fio do precipício,
Enxergo e não creio.

Que tu não veja em meus olhos
Esta claridade,
Aveludada, mas plenas,
O que faz a idade,
São os teus olhos meus,
São só minhas verdades,
As tuas eu busco e não conto
Se tenho encontrado
.
naenorocha

REFLEXÕES

Se insinua o amor a entregar-se,
entre os distantes destinos,
o desejo de dar-se, um desatino,
indo largar-se, e já dar-se.

pensa dolente em voltar-se
à vida, aos sacrifícios,
não ter regaços onde inclinar-se
nem sonhos vãos como intetícios.

tudo cuidado, e o vazio seu,
vai se reformando, chegando a fio
com a certeza de que perdeu,

esgue-se agora, menos certeiro,
e para, e vê se deixou o carteiro,
alguma carta de longe, de um seu.

naenorocha

DE DRUMOND

Eu quero fazer uma poesia
em que os homens se reconheçam,
que de cada letra, uma estrela
fosse dada a cada um,
poderem tê-las.
O mundo está cheio
de palavras escuras
e por elas, não se erguem nada,
ao vasto alto iluminado,
e ficam por aqui

até que se as decifrarem,
já tem passado a noite,

já se tem ido o dia.

A vida necessita de palavras claras,
entendíveis aos olhos,
que a boca as alastre
por sobre o tatame
onde a luta é clara.
Estrelas que se aproximam
de nós, a poder, não vê-las
mas tocá-las,
como quem trisca o rosto
num afago, um beijo.
naeorocha



NÃO

Não, não é um fracasso
É uma desilusão confirmada,
Que me penetra com jeito de cansaço,
É como um dia todo de embaraços,
Dos meus sentimentos,
Uma aventura finda, em feridas.

Não, não é que fracassei,
Foi só porque a vida encarei,
E fiz o mesmo com o mundo,
De tudo o que lhe é de marcas,
Qual as marcas que nele se distinguem,
O que é a mesma coisa, transfigurada.

Porque fracassaria...
Ninguém de mim tiraria,
De minha vida firmada,
Nada, nenhuma palavra, diria
A dar
Saberem de minhas angústias,
Só por que sofro?
Mas todos sofrem e choram

A vida sempre é tão comovente.
naenorocha

segunda-feira, novembro 06, 2006


ACOLHIMENTO

A dor resiste em nós e o mundo ignora,
Parece que todos estão numa disputa imóvel,
Não ouço, não vejo alguém que seja a forma
Ideal pra mim, tal como um irmão, agora.

A dor que me acomete agora é dor conhecida,
Já tantos vi, sofrendo, dela comovidos,
Mas já passaram, e o que não está, é já da ida,
Alguém que a encontre... que dela esteja retorcido.

Esses que correm afoitos dos lados da sombra,
Que se inquietam quando o sinal se avermelha,
Que se desfrutem; que o dia hoje é um escombro,
De outro que lhes feriu, a fronte as veias.

Nem diante do sangue escorrido, do gemido torto,
O mundo segue como se não percebesse,
A comovida história, neste dia morto,
De um homem, um vivo, que se acolhesse
.
naenorocha

SÃO FRANCISCO

Meu inestimável santinho,
São Francisco, meu Chiquinho,
Anda sempre acompanhado,
De todos os passarinhos.
Esses quando se destinam,
A pernoitarem em seus ninhos,
Ele, São Francisquinho,
Prefere dormir no relento.
E enquanto a noite silencia,
Ele conversa com o vento,
Abre-se inteiro com a lua,
Contando de suas carícias,
Que ela é como se fosse sua
Irmã, companheira, alguma
Mãe mais virtuosa,
O sol seu irmão mais velho,
A quem à Ele servia de espelho,
Como faz com todos do mundo,
Nenhum tem preferência, colo,
Todo daqui, deste solo,
São iguais e têm as razões
De tudo o que querem, pleitearem,
Ganharem no mesmo tanto.
Pra Ele não havia diferença
Entre aquele que é homem
Daquele que era, Santo.
naenorocha

NOSSO BEIJO

Pouco tempo dura o nosso beijo,
Qualquer minuto, mas quanto dura,
Neste pequeno momento,
Um vasto lago de doçura.
Na querência de um momento,
Vão-se horas inteiras contada,
Vai-se longe o tempo
Que por tua boca só, sou beijado
Tempo em que me alimento.
O néctar que em minha boca lanças,
Devolvo parte à tua, adocicada,
É assim o beijo que se gosta,
É assim que quero ser beijado.
Beijar sem se despejar,
É como não amar e que dizer, amo
Ou tomar um galho com flores,
Tira-las e ficar só com o ramo.
O beijo prende, e beijo gruda,
O beijo pende, o beijo puxa,
O beijo e o amor se ajudam,
Sem se beijar, a boca murcha
.
naenorocha










LUTERO

Por debaixo da túnica,
Do Santo profano,
Consolidava-se a certeza,
De uma santidade única.
O Santo procurado,
Perseguido enquistado
Não via um santo homem
Nem um homem imortal.
Acreditava piamente,
Na sabedoria, onipotente,
Do Deus dos penitentes,
Mas não cria no homem impotente.
Acreditava em Jesus,
Como mártir dos bárbaros
Golpes, e via na cruz,
Um sentimento pesado.
Lutero não se propunha nunca
A divisão entre ortodoxos,
Os ditos cristãos católicos
Nem entre os paranóicos.
Queria adorar a Deus,
Como único ser supremo,
Cabível à sua natureza,
De homem comum pequeno.
O que se fez em demasia
Não o fizeram em nome da guia
Que ele, ao seu regaço trazia,
Fizeram por desvario.
naenorocha



CRISTO e BUDA


Cristo veio ao mundo utilizando-se de dois veios luminosos. Um, o ventre da Bem aventurada; o outro o lume direto da encarnação. E não se destinou discordar de ninguém que aqui já agiam em acordo com o que se propunha. E Ele contou com poucos, porque o lado dos infiés, culturadores de infinitos deuses, cada um criador e benfeitor da mesma coisa, o mundo, a vida. Cristo desses destoou, no entanto, com a minoria, daqueles que tinham o senso claro de se expor a concórdia, a paz, o bem e a coerência, com esse Ele se afinou. Coerência que coincide tão somente com essas verdades. Quem antes Dele já havia falado, se questionado, com relação à condição humana desigual, Ele não refutou, antes fortificou essas verdades já citadas. Como fez Buda, um predecessor de Cristo, que como Ele, não no grau de santidade, mas de coerência com a essência santa que existe sem dúvida em cada um de nós; mas que nem sempre sabemos explorá-las e torna-las audíveis e assimiláveis para os demais de nossa mesma essência. Buda referiu-se ao amor, à solidariedade, ao reconhecimento humano... de espaço, de chances e oportunidades; foi contrário radicalmente às diferenças de sina e sorte, sendo Ele o primeiro a se ajustar ao modelo concebido à época por Ele.
O papel de Jesus foi, por santidade, por não ter uma falha a que Ele se atribuísse. No entanto, se punha no papel de um ser comum, aí se fortificava os ensinamentos de Buda, quando explicitamente considerava todos, além de serem da mesma essência, também em condições de viverem a usufruir de tudo o que de bom e ruim existe na vida, na terra. Nenhum dos Dois são divergeentes entre si, em suas constituições e papéis. Só que existem aqueles, que ainda hoje persistem em se auto-denoninarem, intitularem, superiores. Isso numa visão errada. Porque o fazem embasados na importância, em posses, em vantagens adquiridas, sabe Deus como. Cristo, como Buda, pensou muito, falou pouco e escreveu nada. Os seus discípulos é, que movidos pelo Espírito Santo, a outra vertente, visível em Cristo, em Buda, e possível em qualquer um de nós. Cristo deixou patente a sua ruptura com o Antigo Testamento, puras transcrições de lamentos, dores, guerras, sangues, escravidão, diferenças entre os homens; este o mesmo mundo com que Buda rompera ao atirar suas túnicas reais, seus anéis, seu castelo, sua identidade com a realeza prepotente. Eu, como cristão, que temo a Deus, pela necessidade plena de viver harmoniosamente comigo e com os outros, nunca questionei a Buda, colocando-o na condição de homem comum. Buda foi sem dúvidas mais um dos bons Homens iluminados, como foi Ghandi, como foram outros que, por coerência agora deveria citá-los em ordem decrescente.
A diferença, a grande diferença é que Jesus Cristo já veio na condição de Deus também. E fazia-se notar assim, quando era posto em prova pelos descrentes da época. Cristo operou milagres. Ressuscitou dentre os mortos. Buda não o fez desta forma, mas também ressuscitou, a Si, quando hoje o conhecemos como um virtuoso; um homem, que, no qual, talvez São Francisco de Assis tenha se inspirado, - é esta uma teoria minha,- foi capaz de ressuscitar quantos mortos perante à vida. Práticos da incoerência, da intolerância, da ganância, do poder.
Cristo, ao romper como Velho Testamento, cheio de controvérsias e passagens ainda por se acreditar, fez uma síntese, de dez mandamentos recebidos por Moisés, em apenas um O AMOR. Citando: esses dez mandamentos se resumem em dois: Amar a Deus sobre tudo e ao próximo como a ti esmo. Não são portanto dois mandamentos, é um apenas.
Buda do seu lado, fez coisa idêntica. Rompeu com uma infinidade de mandamentos da época e evidenciou o Amor como condição para se ter a vida plena. Eu tenho a convicção de que Buda, ao fazer isso não estava visando só o mundo terreno. Devia Ele imaginar que nenhum homem trabalha, age, sem ser sob a mira da recompensa, até os ditos santos. Porque quando agimos como santos estamos vislumbrando a vida eterna. O único pilar que segura o homem de fazer emergir os monstros da lagoa, de eclodirem feras sem pudor, distorcidas, capazes de toda espécie de atitudes.
naenorocha

domingo, novembro 05, 2006



AMANDO

Por aqui vou, me distancio,
e vou sem rumo,
não pensei nenhum destino
e qualquer parada
poderá ser a derradeira.
Porque vou levado, vou
escapando desta cilada,
preparada pelo amor.

O destino de quem ama,
quem saberá?
os braços, a distância,
a cama, se convir
a calmaria, a paz.
O desassossego, o lastro,
um nocaute previsível.

Vou por aqui, sem ainda,
saber se vou ter de chorar,
se vou querer voltar,
ou se vou me tratar.
Amar estar doente,
não de uma doença
à toa. É uma doença
de dor, embutida,
diagnosticável.
naenorocha












TEU NOME

A minha vida toda anda impregnado do teu nome,
E meus sonhos a visão é sempre o mesmo nome,
O mesmo nome que eu escrevo, repedidas vezes,
Insone.
Guardo maços de revistas inutilizadas, com o teu nome,
Cobrindo moças, repórteres, aeromoças, palavras digitadas,
Compro cadernos pra nada, só para escrever o teu nome.
As carteiras de cigarro eu não amasso, em respeito ao teu nome,
Já perdi até camisas, marcadas com, não com o meu nome,
Com o teu nome.
Se vou a um concerto, deixo lá nas cadeiras o teu nome,
Já rabisquei livros alheios, e temi voltar ao dono
Por que marquei com o teu nome.
Meus lençóis são escritos, como lençóis de hospícios,
Com o teu nome,
Na minha pele todos os dias avivo com caneta o teu nome,
E quando dou pra falar, sempre falo o teu nome,
Com o teu nome eu personalizei meus pratos, minhas xícaras,
Meu armário, meu relicário, meu relógio, meu imaginário.
O teu nome deixei em árvores, em barragens, em cimentos,
Em filas de carros parados, nas estátuas das praças,
Já marquei o teu nome em lápides de mortos que nem sei
Quem são, deixei-o escritos em roupas de camas de hotéis,
De hospitais, em sacos de papel, em balcões de quitandas,
De padaria, de lojas de tecido, já escrevi teu nome na pelo
Do meu coração, em penas de galhinhas, em todas as
Minhas gaiolas, nas asas dos passarinhos. Já escrevi o teu nome
Na Lua, nos postes de luz; No céu, no céu da minha boca,
Na minha língua, no meu peito, fiz uma tatuagem em relevo
Com um nome que era o teu.

naenorocha



VEREDAS

E como se eu andasse num caminho no avesso
Como quem palmilha o destino, o rumo aberto
Via-me sempre entre desertos desconhecidos

no tempo já vivido, e eram veredas tão retas,
que se noutro tempo me soltasse, descumprido
como sempre fizera, de toda marca, esquecido.

Olho pro tempo e não vejo mudanças, nestas
Temporadas que estive ausente, mais fugido
E mesmo não vendo nada, não sou vencido.

A frente a guerra, no seu apogeu, de bestas,
Meninos guerreiros nus, são daqui da terra,
Há uma pista, mas o caminho é este, olvido.

naenorocha


A vida nunca perde o seu sentido,
também não se esquece da estrada palmilhada,
o homem é que por vezes, tão distraído,
perdo o fio, esquece-se a meada.

O sentido da vida é o futuro,
é o presente e é o passado,
são três vertentes, em outros veios curtos,
um pé que põe leve e voltado.

Contra, fora, dos riscos traçados,
foge-nos o sentido e o prumo,
e não se está segindo o rumo,
já se estará perdido, confinado.

Mas se avida, de novo propormos,
que nos acompanhe, lado a lado,
ela já se terá refeito o contorno,
e chega-se ao homem, já curado.
naenorocha


O SOL

O sol vai minguando, rumo ao poente,
aonde, aparente, descança,
diminuindo o tamanho, a luz por se acabar.
O calor que ainda resiste,
é só onde ele estava assentado.
As pessoas sentem, na falta do dia,
a ausência do sol que parte.
No momento há menos razão de alegria,
e até de lamento e choro.
A sua calma presença é de desolação,
não de ver, de se avaliar as coisas,
o ouro, a prata,
que na noite perdem de sua valia,
os olhos, as luzes que cada um irradia.
Não como o sol, um noivo distante,
um caçador embrenhado lá prá outros lados,
que colhe sementes, prá ele mesmo plantar e fecundar.
O sol, uma luz que se tornou escuridão,
por alguns momentos apenas,
logo ressurgirá, trazendo outra vida em suas mãos.
Depois da volta completa,
completa o seu dia,
o dia que nunca se acabará,
só num espesso momento se esfria.
Assim, o sol é vida, calor, é luz,
como é, outra vida, de outro sangue, a noite.
NAENOROCHA


ENGANO

Será uma ilusão, ou uma realidade
ou uma simples abstração da vida
aquele lugar de serenidade,
que minha alma vislumbra comovida.
é a que buscamos, por caridade
já que nunca vimos, a vida olvida.

Lugares de paz que não existem
instâncias distantes sem haver,
calmaria, sossego, insistem
como se à vida se desse a viver,
nunca seremos se não resistem,
a cabeça, o juízo, isso desfazer.

Assim o sonho nos faz iludir
com impossível momento, a mostrar,
que tudo o que vivemos, mentir,
sobre o quem ansiamos, sequer passar.
não por desistência, não emr fugir
mas por que ainda sabemos diferençar.

Não são lugares calmo, já findos,
nem prados verdes, soterrados,
o que o sonho, a ilusão, saindo
de suas realidades abstratas,
querem de nós, nos confundindo
é a exaustão, a vida frustrada
.
naenorocha_________________________________________________________

sábado, novembro 04, 2006



CAÇADA

Não serei o mesmo que sou.
Só por hoje viajarei
A tempo me buscarei
Perdido dentro de mim.
Só por hoje não me verei,
Não banharei, a barba não farei
Não quero flagrar no espelho,
A mim, que por certo não sou,
O que sou perde-se dentro de mim.
E esta empreitada é um risco,
Risco que corro de nem voltar,
Porque não sei por onde corro,
Ou se me aquieto e vou devagar.
È imperioso que eu vá,
É necessário que eu volte,
E que seja venturosa,
Minha aventura, a caçada,
A uma fera mal humorada,
Perdida, confinada,
Que a pouco notei a ausência,
Quando já me dou a procurar
.
naenorocha_________________________________________________________


AMOR PELAS ROSAS

Ninguém me ensinou, não que me lembre,
A amar as rosas, andar por prados repletos delas,
Apenas lembro que com elas sonhava, sempre,
E me inebriava diante de uma aquarela.
Não me instruíram, nenhum poeta, me disse,
Que as flores são eternas, e ternas musas,
Mas como sempre tive esta alma triste,
Me detive o tempo todo a elas amando,
Não de uma rosa distante, que aos olhos dista,
O que eu buscava, era um repleto campo.
Não me falaram da original beleza que uma rosa tem,
Eu, é que pelo cheiro e pela cor as busquei,
E desde então, de forma alucinada a elas se detém,
Meu olhar caçador, meus sentidos todos, que sei,
Aguçados, nelas vêm e sentem tudo o que têm.
Pra quem não viu, acredito que ninguém, não
Uma rosa se abrindo, de noite para a manhã,
achará que a vida pode ser assim, que uma solidão,
Pode se acabar, no mesmo tempo da rosa, antes botão.

naenorocha____________________________________________________________________


OBSTÁCULO

Alguma coisa de intransponível resiste
Dentro de mim. Eu sei quando não posso seguir,
Que sempre esbarro, por fim, não poder ir,
Onde já mora outro, tal como eu, que insiste.

Um animal rasteiro, um quadrúpede, ressoa,
Nos labirintos onde tento seguir, voltar,
Fruste a minha alma, não se ver pessoa,
E tudo parece fazer pra mim, sentir, notar.

E de onde venho a trazer comigo personha,
O ardil do homem que agora nem sonha,
Ser qualquer coisa que não seja a estranha

A mal querência deste esquecido passado,
Os vãos, bitolas que de tanto ir, contadas
Vezes agora aparecem como teias de aranha.

NAENOROCHA_______________________________________________________


A criança magra, berra
Enquanto a mãe
Prepara o seu gomoso,
A criança faminta, esperneia
Quando a mãe
Já termina de aprontar seu mingau.
E o Pai e a Mãe,
Lambem os lábios,
Num como num gozo,
Só de vê-la se alimentar.

naenorocha__________________________________________________________


AUSÊNCIA

O amor ausentou-se de mim por algum tempo
E da distância contada entre nós dois,
Éramos signatários de um acordo consistente,
Nem eu nem ele cheiraríamos nossos indumentos,
Aonde estava vivo o cheiro bom da saudade,
Estava impregnado o suor de nossas lidas,
Que deixássemos estampadas nossas verdades,
Umas de tristezas, outras de puros risos.
Eu me distanciei do amor por um momento,
E desses poucos alqueires de campos plantados,
Fazia-se em meu peito uma distância, um tormento,
De nunca mais tê-lo uma vasta possibilidade.
Para dar cabo à essas visões tristes, tardias,
Se separados estávamos, no inevitável tempo,
Saí, infrator das regras, das horas do dia,
fui ao seu encontro e ele veio, no mesmo momento.

naenorocha_________________________________________________________

sexta-feira, novembro 03, 2006














ESPERANÇA

Os campos repletos de flores,
os vastos prados azuis,
crianças brincam ao relento,
corpinhos brilhando nus.
É a festa que a primavera promove,
e é como se a vida renove,
nos homens as mesmas esperanças,
como cachaça que o cérebro envolve.
As flores se não catadas, fenecem
a alma em regaço entorpece,
de seus desejos que descem
como se tivesse aqui, quem pudesse
aliviar-lhe dos conflitos dela,
dar-lhe abrigo, comida e cama,
não sabe ela, que a Deus clamamos
homens, desespero, se chamam
.
naenorocha_________________________________________________________


LAÇOS

Persiste a confusão que sempre faço
quando rebusco no passado um traço
que me leve a este presente, fiasco
e quando nessas viagens me ausento, amasso,
o meu coração, o guardador, o laço,
entre o que fui e o que sou, pedaços.

Não sei, por sinceridade a mim mesmo,
não sei, se fui alguém confiante de mim,
se um desprazível crédulo, um desprezo,
ou se fui, por desventura o mesmo, assim,
com os mesmo erros de antes, renego,
ou diferente, acertei a mesma hora do fim.

Terei com a vaidade corrente, sido navegador,
que navegou trilhas distantes, e se largou,
do fio espesso, caminho se distanciou,
e foi à lonjuras, onde sequer sua alma sonhou,
e se perdeu, correu, retrocedeu, com a dor
que minh’alma carregada, um fardo, destruidor

NAENOROCHA_______________________________________________________













Não sei se é verdadeiro, se é delírio,
uma embaralhado de noite e dia,
a visão terna do mundo,
aonde ele extrema mais fundo,
com o enorme lago da ida.
É o que se pretende. Aqui
uma vida extensa, o amor sorri.

Talvez albergues que não existem,
descanços que não vamos ter,
calmaria e paz damos, às dores,
do aqui se pode colher.
Somos felizes? Quem sabe...
naquele mundo podemos ser.

Acabado o sonho, se desfigura,
só em sonhá-lo, foi-se o sono,
sob as águas do grande lago,
sob as arguras do afogado mundo.
E nesse mundo, ainda habita,
o mal constante, o bem não fica.

Não será com visões de um arco-íris,
nem com o mundo habitado à toa,
que a alma se cura, levanta e ri,
que o coração ajunte coisas boas,
e que nós de tudo, visto destoado,
nos julguemos, um bem, aventurado
.
naenorocha________________________________________________________
















ATLETA

Preciso urgentemente
entrar numa academia,
prá ver as meninas,
de ventres esguios.
Um vértice perfeito,
para a minha barriga.

NAENOROCHA________________________________________________________________



Agora,
Neste agora, de agora,
Eu perdi tempo em falar,

Porque falei muito, agora...
naenorocha___________________________________________________________________

















ESPANTALHO

Sou um espantalho calado,
inerte, exposto ao vento, ao sol
a cuidar do que não vejo,
dos ataques de quem não sei.
Sou eu um crucificado
em meio ao canavial,
já morto e não retirado,
um galho para os pardais.
Sou, ao vento, nenhum cálculo,
à vida nenhum sustentáculo,
às pragas que ainda trituram
nenhum obstáculo.
Sou só o que sou pra mim,
alguém que me ignora,
que nunca vai embora,
e que só me ver assim.

naenorocha___________________________________________________________________















Eu te amo
Como se amar fosse beber
Eu te amo
Como se amar fosse comer
Eu te amo
Como se amar fosse ver
Eu te amo
Como se amar fosse querer
Eu te amo
Como se amor fosse andar
Eu te amo
Como se amar fosse falar
Eu te amo
Como se amar fosse respirar
Eu te amo
Como se amar fosse chorar
Eu te amo
Como se amar fosse receber
Eu te amo
Como se amar fosse dormir
Eu te amo
Como se amar fosse acordar
Eu te amo
Como se amar fosse pulsar
Eu te amo
Como se amar fosse pensar
Eu te amo
Como se amar fosse sangue
Eu te amo
Como se amar fosse coração
Eu te amo
Como se amar fosse sonhar
Eu te amo
Como se amar fosse dizer
Eu te amo
Como se amar fosse viver
Eu te amo
Como se amar fosse sofrer
Eu te amo
Como se amar fosse amor
.
naenorocha_________________________________________________________















NÃO AMEI

Passei toda a noite insone
numa investida sem sentido,
tentanto lembrar os nomes
das mulheres que amei.
Foram tão poucas,
talvez nehuma do mundo,
ou só as que imaginei.
Não que eu não tenha buscado
meus intentos foram malogrados
nas investidas de ser amado,
eu mais amei que beijei,
e mais sonhei que realizei.
O medo que o amor me faz,
é algo indescritível,
dá-me em visões, atrevido,
e quando me vê boquiaberto,
pisando de jeito incerto,
ele sempre me esnoba,
dá-me uma esmoda, um adeus.
Como eu hei de me lembrar,
em sonhos, o que foi sonho,
difícil é até pensar,
e medo de novamente alimentar,
no meu peito mais um sonho.
Será que um dia contarei,
um primeiro, um derradeiro,
vontades numca faltamram,
de fazer o que muitos falaram,
amar, que deve ser bom,
se não não era assim,
como sempre foi prá mim, tão raro
.
naenorocha_________________________________________________________

quinta-feira, novembro 02, 2006



OCASIÃO

Ao que me basta em comida eu fecho a boca
e digo não, nem obrigado.
Ao que me farta desafeto eu fecho em chaves,
a casa inteira e digo não.
Nem obrigado, obrigado!
Ao que me bate à porta, por amor
eu digo não fique de fora,
a noite é festa,
e sempre haverá uma fresta,
uma entrada, por favor.
Ao que me falta em comida, eu abro a boca,
e digo sim, muito obrigado!
Ao que me falta em carinho,
eu destorço as chaves,
e abro caminhos.
Ao que me bate a porta, por amor,
eu digo não me deixes fora,
a noite é infesta,
não enxergo uma fresta,
para mim tudo acabou
.
naenorocha_________________________________________________________



SE LEMBRA

Por todas as ruas, onde ando sozinho
eu ando sozinho, com você.
E você que nem se lembra mais,
Se lembra...
Do jeito que eu fui, tão dedicado, meu amor,
vejo com saudade
a rua, a cerca, o espinho, a flor.
Tantos gestos fis prá lhe falar, lhe ver sorrir,
você se lembra?

Ainda ando sozinho,
eu já nem sei se ando,
eu ando sonhando com você.
E você que nem se lembra mais.
Se lembra...
do jeito que eu sou, tão complicado, meu amor
fico encabulado quando vou pegar uma flor,
e ha tantos gestos mais, prá entender
e essa canção, prá Você lembrar.
naenorocha_________________________________________________________
















COM O MEU AMOR

Eu com o meu amor,
serei muito mais.
Eu serei uma estrela,
e ele brilhará,
eu serei uma nuvem
e ele choverá.

Eu com o meu amor,
seremos um,
e se um for nada,
seremos nenhum.

Mas se eu, de tristeza,
precisar chorar,
são seus olhos meus,
que lhes vão molhar.
naenorocha__________________________________________________________















MESSE

Vamos meu amor, por aí,
como antigamente,
olhando os campos,
ver eclodirem as sementes,
por nós semeadas.
Já cairam as primeiras águas,
e com elas as fidalgas papoulas,
por que é tempo de repô-las,
a natureza sabe.
E sabe também de nós,
quanto tempo estivemos sós,
eu abeirando outros caminhos,
tu, entretida em teu ninho.
Agora o tempo diz ser nosso,
e para que mereceçamos a luz,
é necessários sermos o lume
desses caminhos assombrosos.
A flor que me deste agora,
a flor da minha vida,
eu trago na mão guardada,
carrego no peito metida.
Vês amor, a parimeira semente descansou,
é mais um botão, uma promessa,
que a pouco se abrirá em flor.
Mais uma flor, outra vida,
outra quimera nascida,
da nossa cuidada messe.

naenorocha________________________________________________________


BELAS

Aqui me tens, aqui me vês.
Solitário mais uma vez.
Larguei Stela, deixei Manuela,
Não sei de Isabela, perdi Lisbela.
Só porque fui à outras distância,
Deixei Constância, com uma criança.
Vendi a instância para uma cigana,
E hoje cheio de solidão, acho, brinquei,
Demais com tudo, e tudo foi-se à essa distância.
Aqui me vês, choroso e triste,
Deixei o último amor em riste,
No ponto de ir.
E porque conto, não sei, dizer,
Será porque quero mais padecer?
Pois a cada uma amei, a rima eu não forjei,
Eram seus nomes todas com bela
E pra ser coerente, falo de mim carente,
Carente extremo com saudades delas.
naenorocha_________________________________________________________














IRRETOCÁVEL

Tudo o que tens em desvantagem
em relação ao que olhas nesta paisagem
é tua passagem, efêmera como a dos homens,
e como ela também, a cada estação
não te mostrarás mais bela,
não virás mais exuberante, como de uma viagem
que se poderia fazer no tempo distante.
No resto, ainda tens em desigualdade,
as flores de que ela é capaz produzir,
tu, não plantas uma roseira,
não tens o teu próprio luzeiro,
e ai é que se faz primeira o campo rasteiro,
ele não se eleva além do chão,
nem partirá com asas ao além vão,
por que daqui se vê sua santidade, seu condão.
És agora, e pra mais uns dias linda, és uma flor,
mas o efêmero tempo te tirará em terna dor,
o brilho, as pétalas insubstituíveis,
enquanto floram, enverdecem e se renovam as planícies.

NAENOROCHA________________________________________________________














NOTURNO

Quieta, ouve o silêncio quase impossível,
só a uma hora dessas se tem,
tempo em que dormem os homens,
não trafegam carros, não passam trens.
Ouve com o silêncio do teu coração,
as estrelas concentradas em oração,
é das horas do dia, a mais quieta,
quando elas se comunicam só com o coração.
Aqui embaixo onde estamos,
este momento é o da transformação,
das cicatrizes em vestígios invisíveis
se transformarem, sararem as dores,

como se não, nunca em nós foram visíveis.
Ouve o murmúrio quase inaudível,
das águas à superfície,
nesta hora até os peixes dormem,
porque amanhã quando for dia,
voltará o alarde dos homens inquietos,
voltarão na mesma forma os indícios,
de que a paz, selênico nesta noite se viu,
e prevalecerá a normalidade do ofício
.
naenorocha_________________________________________________________














CHORAR

Chorar me lembra
o nascimento de um rio.
Que destino levará tanta água de sabor.
O mar é o lenço,
que absorve a correnteza,
sem saber bem da certeza
que levou tanto chorar.

Mas se prossegue o coração achando jeito,
e a vontade ainda no peito,
de tanto se desejar,
aí não mais, me lembra o rio sem destino,
me lembra a chuva pedida
que fará o chão rasgar.
naenorocha_________________________________________________________











NÃO HÁ JEITO

É necessário mais que uma investida,
Para se alcançar a vida, repetida,
E se ter à mão comovido, o breu da noite.
É necessário mais que uma tentativa,
Pra se ter atraída, a vida sem seus açoites.
Não há perdão, para o malogrado gesto,
Não há sentença que não seja pela destra,
Mão certeira, no desfecho da festa,
E tudo o que ainda havia de risos, prestos.
Não há complacência com os que se olham
Confundindo as ordens do dia impiedoso,
Não, não, há mais jeito, de crescerem os abrolhos.
Porque não chuvas, nem nuvens houveram,
Nem vimos verão, tampouco passamos o inverno.
Tudo foi medido, por cautelosos gestos,
Por quem proveu o dia, e surtiu a hora,
E se esqueceu, por propósito, do resto.
É necessário mais que um gesto,
Pra se convencer a vida a dar-se, em teste
.
naenorocha_________________________________________________________

quarta-feira, novembro 01, 2006













OFÍCIO

O ofício maior dos homens é viver,
E viver exige muito de esforço físico,
E abnegações recíprocas, onde sofrem
Quem dá, quem serve, o sacrifício.
Viver a plenitude do bom é imoral,
Pois todos invariavelmente, são mortais,
E daqui se leva apenas panos leves,
Nenhuma bagagem que pese na descida.
O extremo apego à vida, o seu sentido,
Provoca o desmoronamento, dela, a vida,
E qualquer estranho gesto, por ela esquecido,
Dá-se em dilúvio, um raro uivo, um mal dito,
E se entenderá sobre a planície funda,
Algo que retenha, água que te inundes,
A cobrir as pernas, depois o pescoço,
A vida é capaz ainda de muito mais alvoroço.
Dê-se a ela, como um prato de sopa,
E ela tudo comerá, inteiro, num sopro.
O que sobrar, um vômito lançará na tua boca,

que ela por miséria, foi além da boca.
naenorocha________________________________________________________














MIRAGENS

Vês como pulsam
intensamente em nós,
teu coração e o meu,
fazendo um dueto de vozes.

Nas roseiras diferentes,
florescem e caem sementes,
e renasce em ventre,
o nosso amor diferente.

E os córregos inteiriços,
passam e viram sumiço
à frente são outras águas.
não as que falamos isso.

As sombras das árvores,
se parecem agasalhos,
que nos envolvem pelos atalhos,
por eesses caminhos vários.

naenorocha_________________________________________________________












AMEI

Iniciei-me no amor
Antes de ele ser criado,
Amei de todas as formas,
Amei por prazer de notar,
Amei por desespero,
Amei por esperança,
Amei por desavença
Amei por confiança,
Amei fora do tempo
Amei dentro da estação,
Amei pra fazer do gozo
Um tipo de expiação,
Um modo de gratidão.
Amei por puro desgosto,
Amei porque era bom o gosto,
Amei no escuro e acertei,
Amei no claro e errei,
Amei a quem amei,
A quem não amava,
Enjoado estava,
Sem querer, fiquei.

naenorocha_________________________________________________________


TROCA JUSTA

Quanto tens em amor
Que se troque por outro amor,
Da mesma essência, do mesmo quilate.
A oferta é boa,
Quero saber só, se pra mim,
Que cheguei, assim à toa,
Tens as mesma inocência que eu,
E a clemência, em não ser
Do mesmo teu, o valor.
Mesmo assim trocarás,
O meu amor pelo teu,
Afinal no ajuste final,
Nenhum de nos se perdeu,
O amor que tens serás meu,
E o que eu darei em troca é teu.
naenorocha_________________________________________________________


PERDER-SE

Como num sonho,
Aqui te tenho,
Água escorrendo
Por entre os dedos.
E num esforço
Ao qual me empenho,
Prender uma gota,
Do amor sereno.
E foi só isso,
Um sonho belo,
ainda sonho, vertendo
águas dos olhos.

NAENOROCHA__________________________________________________________










ROSAS

Vês, onde coloca o noivo, a flor,
perto do seu coração,
e a noiva leva um bouquet
pra dar, na mão.
Vês como a rosa do noivo
caminha em sua direção,
e como a rosas da noiva,
tremem-se pelo salão.
Olha o sentido da rosa,
e olha a sua direção,
ambas descambam no mesmo lugar,
todas dentro do coração.
A noiva e noivo se juntam
juntam-se rosas no altar,
e mais as que estão sob os pés,
da Santa, essas abençoadas.
naenorocha__________________________________________________________
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NÁUFRAGAS

Mesmo de longe eu vou te amar,
dessa indesejável distância,
te transformastes em saudade,
em desejo e ressonância.


Desse lembrado lugar,
onde a alegria do viver,
é só por ai estar,
falar-te o que quero dizer.

Quem necessita divagar,
sobre o tempo e o exalar
do odor da rosa, e amar,
que não o faça, pra não calar.

e naufragadas nas águas,
as estrelas, em paz, serenas,
perfazem a sua corrente,

sem faltar ar, faltar vento.
naenorocha__________________________________________________________
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FICAM

As meninas vão pras festas
convencidas, provocantes,
e brincam de amor, e ficam
por umas horas, sem sonhos.
Voltam inebriadas, e dormem até mais tarde,
acordam tomam café,
e não mostram nenhum entusiasmo,
não são de extremar o lirismo.
Não ficam mais apaixonadas,
não escrevem cartas de amor.
à noite, aquele amor tênue
passa como uma embriagues,
que se cura com o próprio passar,
das horas de sono solto,
ou alguma droga que alivie o estômago.
As meninas, provocantes,
só querem deixar a vida louca,
ainda não querem nada do amor,
nem se entregam, nem sentem dor,
agora ainda é muito cedo,
não é tempo para as insônias,
ainda dá pra dormir mais um pouco.
naenorocha _____________________________________________________________

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TERESINA

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