
LÁGRIMAS
Às vezes ocorre de eu chorar pelos dedos...
Antes das nuvens se formarem
Ou de qualquer tristeza prenunciada.
A tua presença adia a formação do tempo.
Choro pelos olhos, em raro momento.
Mais pelo peito, profundo reserva de nós.
Pela garganta, o veio, de onde verte
A irrigação dos olhos
O plantio dos poros
A sequidão de amor.
Choro chegando, choro saindo
Choro chorando, choro sorrindo.
Ás vezes choro pela minha testa
Quando se atesta um tempo de chorar
E me enrubesce a face, como ao céu.
As nuvens quaram seus vestígios enxugados.
Chovo que cantam os sapos...
Coisa que nunca seca.
Cessa o desejo, cai um temporal.
E o que dizer se já foi assim
Desde que mirei os teus olhos verdinhos.
Quando beijei tua boca carmim
Porque é que fostes de ausentar de mim.
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naeno* com reservas de domínio