terça-feira, agosto 14, 2007

DE DIA

Tarde demais para acostumar-me com a sombra.
Eu que venho por todo o dia tangendo a claridade
Vendo brotarem flores novas nos escombros.
Cativa-me o medo da noite agora, e fico só
Desterrado do teu regaço, posto solto
Como um menino que larga o peito, e agarra o mundo.
Não tinha planos para as estações,
Em todas eu plantei, e depois desenterrei todas as sementes
Foi uma brincadeira de menino, uma experiência de nascer.
E morri, quando os teus olhos se fecharam
Não te via mais, e era tu que não me enxergarvas.

Cedo demais para outras colheitas entre os apanhados.
Ninguém saiu, são os mesmos rostos de ainda pouco
E tudo o que eu tinha entreguei em troco,
Ao sol, que reneguei, ao dia que decepei,
Da noite que fez dos meus quereres tardios.
Agora é o mesmo tempo de todo o tempo,
Nada serviu a aplacar em mim a réstia
Que persuadiu-me e dormi com ela.
Veio pela janela, insistente o dia, repelido,
E se insinuava como uma amante afogada
Em amor querendo dar-se, alforriada.
Agora que sabes que não me atormentam as nuances do dia,
O tempo, comigo tem sido um elástico tenso
Que ora está aqui, mostrando-me os taciturnos gestos
Ora se afugenta, talvez medo de mim, talvez medo dele.
E só Deus saberá contar as horas em que me larguei daqui
Saí sorrateiro pela lateral do terreiro e nunca mais me vi.
Vi uma sombra calcada sob meus pés, derrotada
E nada de mim, nem do dia, nem de nada mais restava.

12 comentários:

Zé Ninguém disse...

O menino já aqui dizia qualquer coisinha...Não acha?

http://absolutamenteninguem.blogspot.com/2007/08/esquerdalhas-e-faschizoides-5.html

Grato

Glênio Gangorra disse...

Um texto lindíssimo e digno de um liberticida reacionário imperialista que quer ver o povo entregue à sanha assassina de Bush. Nós, defensores do movimento democrático nacional-socialista bolivariano, lutaremos até a ultima gota de sangue contra tal igonímia.

naenorocha1@hotmail.com disse...

Êta Gênio, que ressaca!

Um abraço
Naeno

Rainha de Copas disse...

palavras fortes. sentimentos e a ausencia presentes. belissimo texto. virei fã.

Rynaldo Papoy disse...

Obrigado por comentar no nosso blog c5p. Abração!

Ricardo Rayol disse...

naeno, dança pelas letras com uma desenvoltura absurda, quando crescer quero escrever que nem tu.

Rodrigo Lopez-Balthar disse...

Obrigado pelo comentário. Tenho medo de bolivarianos e de marcianos... belo poema camarada, espero que visite o cão um dia http://ocaocelestial.blogspot.com
Tchau, gajo.

Nanda Nascimento disse...

Nossa, belas palavras!!
Abraços!!

Yvonne disse...

Naeno, seus poemas são verdadeiros colírios. Beijocas

Maria Elisa disse...

Amigo Naeno. Lindo este poema feito em texto,de grande sentimento e de verdade.
Beijinho amigo.maripossa

Iara Alencar disse...

ola..
obrigada pelo poema.:)

voce que escreveu??
muito bonito..
mas meio triste não?

Naeno disse...

Obrigado a todos que se manifestaram comentando o meu poema. A todos vocês o dedico, com a sinseridade das chuvas no seu tempo.

Naeno/15/08/1007

TERESINA

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