sexta-feira, janeiro 12, 2007

A FALA

Sei pouco do que pensam que sei
Se falo a evitar o silêncio
Que se veste das vestes da morte
É que temo estar morto, e sem saber
Falando sei que estou vivo,
Estando calado, quieto, forjo um sorriso
Só para verem que ainda estou vivo.
E por desatino assim determinei pra mim,
Que a vida é a fala. Tanto que o morto cala,
E o seu silêncio definitivo é escabroso,
Afigura-se uma vontade de não mais falar
Estampada no seu rosto.
Também não e dado a quem já foi,
Deixar sua voz, outras palavras
Que tinha por dizer.
A morte é uma surpresa
E se percebe quando a boca se fecha,
E o coração se cala, como se tanto fez,
O que fez e sentiu, e tanto faz
O que não resta mais.
Qualquer estória, em qualquer pé
É um bom motivo pra parar,
A sua história fica pra quem bem quiser,
Falar, contar.
Calou-lhe a voz, foi-se a foz
Que espargia palavras, vida,
Que vida é falar.

foto: Vitor Hara, um guerrilheiro constra os instintos dos assassinos da Ditadura, que moreu quando sua voz deu-se por calada.

3 comentários:

Anônimo disse...

Oi!....Naeno

Seu blog tem coisas novas!
Olha, gostei do texto, está muito bem escrito.

Fica bem.
Um grande abraço

Arcanjo Poeta disse...

Grande Naeno... e ai com esta? feliz 2007 para você...teu blog esta otimo.

Ursula disse...

Cara, vc devia virar compositor de músicas...Fico cantando seus poemas.
Beijos

TERESINA

Sign by Dealighted - Coupons & Discount Shopping