
TAPERAS
Quanto de mim não ficou largado
Em terras alheias, eu só um agregado.
Quanto dos meus olhos não se esvaiu em luz
Vislumbrando uma vida no mundo difuso.
A vida é sempre severa em seus devaneios,
E utilizando-se da máxima diz: não convidei,
Mas veio. E aí prevalecem os caprichos seus,
Titubeou não leu, o pau comeu.
Mas não poderia ter mais justiça em seus acertos,
Ela nunca erra, você é que anda às avessas.
Quanto mais quer mais vai desejar,
Quanto mais busca, mais perdido estar.
Fica, portanto de mim o exemplo
Àqueles que comigo, anseiam do tempo,
Um raro momento, de pausa, calmaria,
E que não fossem os dias, as suas crias,
Tão inconstantes, nos seus semblantes,
Ora o sol surge como um prenúncio bom,
Ora ele ressurge desmanchando tudo.
Queimando sementes, já acomodadas no chão,
Enrugando a pele, te dando outra idade.
Quanto de mim ainda resta, quanto durará,
Pois nada encerrei, tudo ainda está, por terminar.
O dia, que hoje foi de trabalho e luta,
O mês que promete contar contrário,
O ano que mais me envelhecerá.
Quanto de mim, do meu coração solitário,
Não deixamos em células, a nenhum proprietário.
Só deixamos, só largamos, só andamos,
Vagarosamente, vagos, num mundo de latifundiários.
naeno:181006

Um comentário:
Além das poesias, as fotos também são fortes...incríveis!!!
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