segunda-feira, novembro 13, 2006




FAXINA

Arrumar a vida, por as coisas que posso nos lugares,
Soprar poeiras, dar flaneladas até onde alcanço,
Deixar o pó que resistiu até aqui, retraído.
Cair sobre mim, sujar a roupa que pus a emporcalhar-me.
Tirar os escombros de livros, revistas velhas, velhos pecados,
Distantes traumas, traze-lo a tona, lava-los, ensaboá-los,
Depois deixar ao sol, martiriza-lo o tempo necessários,
A ver-me vingado, aliviado do seu peso e grude.
Tirar dos cantos as aranhas gigantescas dos meus sonhos idos,
Afoga-las numa bacia extensa e funda,
Tirar os entulhos acumulados, amontoados sobre mim,
No quarto onde eu dormira um sono sem fim.

É só esta vontade que em mim, vale agora.
O trabalho de arrumar, varrer, cortar, verter,
Me dará certamente momentos de acomodação,
De mim comigo mesmo, estará fazendo um bem
A quem mais agiu desfavorável, criando essa deplorável sujeira.
Queria poder tocar todos os milímetros da minha vida,
E em todos bater, sacudir, espanar, até que que fiquem exautos,
Meus braços e meus músculos, deixando-me ainda,
mas que ainda me deixe aficionado com a idéia de limpa-la.
Acho que depois do sacrifício tamanho, alguma mudança,
Alguma diferença se notará, em mim, externamente fétido,

Mais dentro, um alívio, um aroma bom, uma vontade de ficar.
naenorocha

Um comentário:

(L)oca disse...

escrevendo como você...estou fazendo faxina na minha cabeça...vazendo as poeiras...

TERESINA

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